26/01/2004 12:27
HORA DE REFLEXÃO
Parece que meu ano novo não foi em primeiro de janeiro, mas sim no último dia 24 (sem trocadilhos, por favor). Foi quando fiz uma pequena mais impactante participação no show "Nabuco Duets", comemoração de cinco anos de existência e androginia da banda Nabuco on the Roxy. Para falar um pouquinho desse show, vamos fazer um pequeno retrocesso em minha história pessoal.
Durante praticamente todos meus anos de faculdade (1995-2000) a música, paixão da adolescência, ficou relegada a segundo plano. Toda sorte de sonhos e projetos megalomaníacos me dominaram, como ser um desenhista de quadrinhos e até mesmo cineasta. Na verdade, em todas essas atividades eu buscava a grandiosidade dos palcos, o glamour e a liberdade plena de se expressar através da música. Por que procurei isso na imagem, e não no som, eu não faço idéia, mas não vale a pena ir fundo nisso, senão vira sessão de análise!
Foi em 2000 que eu conheci o Nabuco. www.queronabuco.com Aquela performance estranha, letras que eram totalmente auto-referentes, um narcisismo coletivo em alto grau... era ridículo, mas ao mesmo tempo era lindo... lembro de pensar "esses caras são uns palhaços, mas é autêntico... eles não estão forçando a barra... eles são aquilo mesmo... what you see is what you get"...
Pedaços de suas letras me deixaram realmente louco, pensando no que eu estava fazendo com a minha vida... enfim, confira:
"E todo mundo lá no fundo
deseja ser um rock star"
E ouvindo isso, tentando (em vão) ficar com a garota que depois viria a ser a minha mais importante namorada (a única mulher que eu realmente amei), pensei em todas as besteiras que eu já fizera e que eu estava fazendo, ao ouvir essa maravilhosa estrofe:
"Depois do leite
A hora é crescer
Aprender novos verbos
Cometer antigos erros"
Cometer antigos erros... e meu erro mais antigo - aquele que durou cinco anos de faculdade, ou melhor, aquele que durou a vida inteira, foi (tem sido?!) mentir para mim mesmo, fingir que eu quero algo que eu não quero. E depois, na mesma época, quando assisti o show do extinto Besouro Zorah, tive certeza: eu TINHA que montar uma banda novamente.
Vão-se lá quase 3 anos, várias formações, e minha banda, o Dr. Metrópolis continua apenas engatinhando. Mas minha participação no Nabuco Duets, apresentado como membro de uma banda promissora, foi honrosa não só pelos elogios, mas principalmente pela dádiva - presente divino - de poder tocar a música que me inspirou e cantar aqueles versos tão simples e tão verdadeiros ("Depois do Leite", citados acima). Cometeremos antigos erros? Provavelmente. Mas aprenderemos novos verbos, e verbo significa ação. Foi o verdadeiro começo para um ano recheado de música e amor (no sentido mais universal da palavra). O começo do recomeço.
Nesse momento, sinto um amor enorme pelo mundo e pela vida, e me dá vontade de chorar. Juro, as lágrimas estão aqui, nos olhos, querendo passar pelas olheiras e descer. Eu amo todos vocês.
enviada por Pedro, o Alquimista
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